domingo, 15 de julho de 2012

FREGUESIA DE CABEÇA

REGIÃO                   CENTRO
SUB REGIÃO            SERRA DA ESTRELA
DISTRITO                 GUARDA
CIDADE                    SEIA
FREGUESIA            CABEÇA
Heráldica
Brasão
Escudo de verde, ovelha de prata passante, realçada e ungulada de negro, entre duas esporas de ouro, postas em pala, em chefe e penhasco de prata, sealçado de negro e movente em ponta. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro "CABEÇA".
Bandeira
Amarela, cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.
  
Selo
Nos termos da Lei, com a legenda: "Junta de Freguesia de Cabeça - Seia".
SIMBOLOGIA 
Esporas: 
Em chefe, duas esporas de ouro, postas em pala. 
Representam as lendas, as tradições e antiguidade do povoamento que as mesmas tentam justificar.
Ovelha: 
Ovelha de prata passante, realçada e ungulada de negro.
Representa as actividades económicas, com destaque para a tradicional pastorícia.
Penhasco: 
Penhasco de prata, realçado de negro e movente da ponta.
Representa a localização geográfica da freguesia, que assenta na Serra da Estrela.
História
 O seu primitivo povoamento é atribuído a épocas pré-romanas. Aparece logo desde o início da Nacionalidade (séculos XI e XII) no termo de Loriga (dentro de Seia), constituindo com ele um todo, possuído por D. João Viegas ( ou D. João Ranha ), depois de confiscado por D. Afonso Henriques aos anteriores donatários, por não se lhe sujeitarem.   Administrativamente, pertenceu ao concelho de Loriga, até à extinção deste em 24/10/1855, passando a integrar o concelho de Seia.
Porque lhe chamam “Cabeça” ?
  Porque o monte onde assenta o casario é arredondado, essa cabeça heróica, de cabelos verdes, coroada de oliveiras, despenhada no fundo do vale...
Outras designações
A antiga igreja paroquial tinha como orago a S. Romão, pelo que alguns escritores lhe dão o nome de “Cabeça de Romão”. A freguesia  chegou a denominar-se “S. Romão de Cabeça “. Pertenceu à Relação do Porto até à criação da de Coimbra. Em documentos medievais, encontra-se referência aos “ Casais da Cabeça”. Na memória sobre Loriga de 1755, o “Casal da Cabeça” , pertencia à vila de Loriga, e respectiva freguesia. O Título de Desanexação da freguesia refere-se à povoação com os nomes de  “Casal da Cabeça” e “Cabeça”. E o Título de Desanexação da paróquia refere expressamente que esta fica intitulada  “São Romão do Casal da Cabeça”.
Acreditamos que evoluiu para a simples  designação de “Cabeça”, por razões de simplicidade e para obstar à confusão sempre possível com o nome da povoação mais próxima (Casal do Rei), lugar pertencente à freguesia de Vide.  Fundação da Cabeça ( Cap. Dr. António Dias, in “Vista Bela  - Ensaio Monográfico das Terras de Seia – Freguesia de Cabeça “ – pág.. 6 ) Os Cavaleiros das Esporas de Oiro, foram, diz-se, os que fundaram a Cabeça.
Eram três homens estranhos, parece que de alta gerarquia que, perseguidos, tinham a cabeça a preço. Vindos de traz da serra, perderam-se entre brenhas e com as sua riquezas e adornos, cavaram à beira de água a sua casa, camuflaram-na de oliveiras e aqui só o céu os via, tão ínvios eram os caminhos.
Viviam como Ermitas. A tristeza alongava-lhes os dias. Tinham deixado a sua terra e como deveriam recordar o sol da planície, o horizonte vasto das alturas ! As feras rondavam-lhe a casa a todas as horas da noite. E de dia, quando as neves cobriam as alturas, ficavam-se a olhar numa melancolia de dor. Um, em cada dia, tinha por obrigação percorrer as veredas, em reconhecimento e raro lobrigavam viva alma ! Assim andaram durante muito tempo, em demanda do amor, até que um dia se puderam aproximar duma povoação, disfarçados de pastores e porque ali eram formosas as mulheres, tão belas como as estrelas que viam nos céus, quando alta noite, tudo era silêncio, cada um raptou uma donzela. Cavalgaram para o seu refúgio onde as encheram de riquezas e de beijos. E à volta da casa, da qual ainda hoje existem vestígios, outras mais se ergueram. Foram procurar escravos que desbravaram os terrenos que criaram os rebanhos e fundaram então a Cabeça, que ainda tem casas não superiores às das idades pré - históricas.
CARACTERIZAÇÃO
O trabalho que se segue resulta de um trabalho de pesquisa elaborado pelo Sr. Ricardo Mendes.
"A cordilheira central, espinha dorsal da península ibérica e também o principal sistema montanhoso de Portugal, separa, de certo modo, um Portugal do Norte de um Portugal do Sul: no clima, na cobertura vegetal original e na sua degradação, na ocupação humana. 
 Mas também constitui uma unidade com efeitos de ligação e homogeneização: projecta as influências atlânticas mais para o interior, não se opondo ao avanço das massas de ar oceânico que se vão resolvendo em precipitação, de chuva ou de neve, até à fronteira; une ao proporcionar, numa e noutra vertente, vocações semelhantes ou afins – pastoreio, indústrias têxteis, minas, barragens e albufeiras; mas uniu fundamentalmente, ao contribuir para que se constituísse a sul e a norte a maior mancha florestal Portuguesa, beneficiando da referida humidade atlântica" (Jorge Gaspar 1993). 
Cabeça pertencente ao concelho de Seia e NUTT III Serra da Estrela, apresenta características biofísicas semelhantes ás restantes freguesias desta área. De facto, toda a área que compreende a freguesia de cabeça acompanha as mesmas tendências desta grande e majestosa "Serra da Estrela".
Malha Urbana, aspectos Arquitectónicos e Agricultura
Cerca de 90% das habitações, têm já uma idade considerável, são feitas através das matérias-primas existentes na freguesia, ou trazidas de outras aldeias próximas. Aqui o factor deslocação é muito importante, visto na altura das construções o traçado das vias de comunicação ser quase inexistente, rudimentar e os meios de comunicação serem bastante lentos e de fraca carga. Desta forma, os "antigos construtores" utilizavam o xisto e a madeira de castanho (muito resistente) ou de pinheiro. 
Desta forma, surgem-nos habitações de xisto, com telhados de ardósia negra, a sua grande maioria trazida do Casal do Rei. Em termos de alojamentos e edifícios, embora pequeno, registou-se um pequeno aumento. Entre 1981, houve um aumento de alojamentos na ordem dos 40, enquanto nos edifícios registaram-se novos 37 edifícios. Embora não sejam valores elevados, revelam ainda alguma dinâmica interna de atrair investimentos.
 Dadas as características físicas, bem como por razões Históricas,   desta região e NUTT (Serra da Estrela), não é pois de estranhar que o povoamento se encontre concentrado, na grande maioria das aldeias deste concelho, com excepção dos locais de enorme pressão urbanística, ou onde esta se mais tem notado mais nos últimos anos. 
 Cabeça não é excepção, e tal como atrás foi proferido,  apenas nas áreas onde a pressão urbanística foi mais acentuada nos últimos anos é que o povoamento se encontra semi-disperso, tendo por exemplo o Outeiro e o Corte do Muro, locais de construção dos emigrantes desta terra das suas casas, tendo na sua grande maioria uma ocupação sazonal, pois são apenas utilizadas no Verão. Apresenta uma malha bastante irregular, mais notória nos locais de construção recente, exemplo disso são as áreas atrás referidas. 
O chamado "Povo", embora com um passado já longínquo, é contudo aquele, onde o planeamento urbanístico mais se faz notar.  Apresenta uma malha circular, onde varias ruas circundam a auréola do casario, tendo como foco a Igreja de S. Romão. 
De facto, esta aldeia é bastante rica em lições urbanísticas, não só no seu casario, mas também em seu redor. O forte declive, impossibilitando uma agricultura "normal", obrigou à construção de socalcos, para uma prática de uma actividade, até há alguns bons anos de subsistência (agricultura), onde o cultivo do milho, batata, vinha, feijão e o pastoreio ocupavam a grande maioria da população.  Mais de 95% da produção agrícola, destina-se exclusivamente para o auto consumo, a restante destina-se para a venda. Os produtos vendidos são essencialmente milho, mel, vinho. A agricultura praticada é pobre em termos tecnológicos, pouco produtiva e com altas taxas de mão de obra, essencialmente familiar. 
Devido à irregularidade do terreno, a mecanização é quase impossível, embora seja praticada em determinados terrenos.   As técnicas utilizadas são muito antigas, ainda regidas, pelas fases da lua, pelo que dizem os mais velhos serem muito importantes para a colheita e para o semear. Os instrumentos utilizados para a mesma são a enxada para o "voltear da terra", sacho para semear e o "amanhar" da terra, ancinhos para alisar o terreno, podão para roçar o mato e a erva, entre outros, que só um estudo exaustivo conseguiria alcançar. Ao nível alimentar, os Cabecenses estão regidos por uma dieta alimentar muito rica, embora deturpada nos tempos que correm. Uma alimentação com base nos produtos locais, sem pesticidas, fertilizantes, corantes ou conservantes. Esta dieta rica em vegetais (couve, alface, batata, feijão), carne proveniente dos animais criados pelas próprias pessoas (nomeadamente carne de cabra e ovelha), azeite local, frutos (laranja, uva, maçã, pêra, etc...), é rica para a saúde, confirmada pela longevidade de algumas pessoas.
Caracterização Biofísica
Localizada numa vertente de declive bastante acentuado, cujo vale bastante encaixado chega a atingir mais de 1000 metros de altura,   não é pois de estranhar que esta aldeia apresenta um conjunto de áreas de enorme riqueza em termos de flora e de fauna. 
pintassilgo
tritão
Das espécies faunisticas conhecidas, encontram-se aqui o Javali, Perdiz, Raposa, Coelho Bravo, Melro, Pintassilgo, Pardal, Tritão, Salamandra e até à algumas décadas atrás o Lobo. Importa também salientar as espécies piscícolas, nomeadamente a Enguia, Bordalo e a Truta, que encontram nas águas cristalinas e quase isentas de poluição o habitat perfeito.
    Ao nível da flora existente, é de salientar a enorme mancha de Azevinho (Ilex aquifolium), bastante raro no país existente na parte umbria, localizada na vertente oeste do vale, junto à ribeira. Esta espécie está protegida por lei, sendo assim qualquer abate, punido por lei. Podemos ainda encontrar, o pinheiro bravo (Pinus pinaster), carqueja, cuja flor é bastante utilizada para fins medicinais, bem como para a pecuária; medronheiro (Arbutos unedo), de cujo fruto é produzida a água-ardente de medronho, tulipas, Oliveira (Olea europea),Sobreiro (Quercus Suber), Carvalho alvarinho (Quercus robur), Silva (Rubus ulminifolius), Castanheiro (Castanea cativa),  Nogueira (Juglans regia), Carvalho negral (Quercus pyrinaica), Alecrim (Rosmaninus officinalis), Rosmaninho (Lavandula stoechas). 
    
 A litologia desta freguesia é composta maioritariamente por rochas metamórficas, designadamente Xistos mosqueados, Quartzitos e Xistos argilosos, cujo período geológico data do Câmbrico ao Pré-câmbrico, bem como alguns afloramentos de um granito com bastante sílica. Podendo-se comprovar através da carta Geológica 1:50 000, 20-B da Covilhã, editada e cujo levantamento foi efectuado pelos serviços Geológicos e Exploração Mineira da Junta de Energia Nuclear.   
grauvaques
Nesta Carta, podemos observar que a grande maioria da área da freguesia é composta por Xistos, Grauvaques e Quartzitos, como atrás foi referido. Contudo, desde o chamado "Povo", começando mais ou menos no largo da Igreja  Nova até à Vinha da Redonda ocupando 250 metros de largura e cujo comprimento de 1000 metros se estende desde a faixa atrás referida para sudeste até ao cimo do Souto, é composto por um granito gnássico muito duro, alcalino e com forte presença de silica. Dada a natureza do tipo de rochas, bem como a inclinação das vertentes, vamos ter um solo bastante pobre, muito ácido, impróprio para a agricultura. 
Contudo graças à construção de socalcos e à adubação constante dos mesmos por estrume torna-os bastante férteis. Contudo, representam uma ínfima parte dos solos existentes, reflectindo-se na carta da capacidade de uso do solo, estando classificados como sendo solos para a silvicultura.
    A grande altitude das vertentes, favorece a abundância de precipitação, os ventos de sudoeste e de oeste, bastante húmidos, tendo a sua origem no oceano atlântico ao encontrarem esta barreira, descarregam a humidade sob forma de precipitação. Contudo, embora a precipitação se encontre entre os 1400 e 1600mm anuais (um quarto da precipitação da bacia do Amazonas), apenas 3 ou 4% dessa mesma é aproveitada para rega e consumo público ou privado. De facto, a grande maioria vai para o escoamento superficial, e para a evapo-transpiração cujos valores se situam entre os 600 e 700mm anuais, e uma pequeníssima parte para os aquíferos. Estes são muito fracos em temos de capacidade de carga e pouco abundantes, dada a litologia cuja meteriorização originam argilas impermeáveis, que impedem que a água se infiltre. Durante o ano, apresenta contrastes térmicos bastante acentuados. Atingindo por várias vezes temperaturas negativas no Inverno, no Verão chega a atingir os 40º C, quando as condições sinópticas são favoráveis.
Gastronomia Trutas Recheadas com Presunto
Ingredientes
Trutas
Sal
Pesunto cru
Sumo de limão
Manteiga
Salsa picada
Modo de Preparo
1.   A truta é limpa com sal, aberta ao meio e
2.   recheada com uma fatia de presunto.
Depois é grelhada, levando um molho de sumo de limão, manteiga e salsa picada.

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