segunda-feira, 5 de setembro de 2011

FREGUESIA DE CACILHAS



REGIÃO                   LISBOA
SUB REGIÃO            PENINSULA DE SETUBAL
DISTRITO                 SETUBAL
CIDADE                      ALMADA
FREGUESIA             CACILHAS

HERALDICA
Considerando Cacilhas terra de grandes tradições, entendemos que o seu Brasão deve ser uma expressão da história e vivência desta localidade.
ONDEADO EM PRATA E AZUL:
representando o Rio Tejo
FAROL DE OURO:
 no coração do campo, o farol de Cacilhas, referência e símbolo histórico do lugar. Luz que indica uma rota, um destino, um caminho. Porto de abrigo nos dias de tempestade e infortúnio. Luz de esperança para os milhares de migrantes que, vindos do sul, buscaram na grande Lisboa, um futuro diferente.
Porta do Sul, local de partida mas, sobretudo, lugar dos que ficaram , transformando Cacilhas numa terra de progresso onde dá gosto viver.
CAMPO VERMELHO:
símbolo de alegria, calor e energia criadora das gentes de Cacilhas, centro de vida e pujança das actividades da comunidade.
DUAS ASAS DE OURO:
símbolo das comunicações.
Cacilhas foi desde tempos remotos um porto comercial e de acesso ao sul e continua a desempenhar nos nossos dias uma função activa de centro de comunicações fluviais e terrestres, de acesso à "outra banda".
ENXÓS DE PRATA:
representam as tradições de actividade naval. De prata por simbolizarem a humildade característica dos carpinteiros navais que usavam esta ferramenta como símbolo.
Depois de um passado importante na arte naval, 






Cacilhas surge no início da década de setenta como omaior e mais moderno centro de construções navais do país, com a construção do Estaleiro da Lisnave, possuindo a maior doca seca do mundo.
História
Enquadramento


O território da actual freguesia de Cacilhas situa-se na margem esquerda do estuário do Tejo, no extremo Nordeste do concelho de Almada. O relevo é marcado pela arriba, que se levanta abruptamente virada a Norte e declina suavemente para Sul.




A ocupação humana, patente desde a Pré-História, foi favorecida pela posição defensiva no topo da arriba, pela situação ribeirinha e pela abundância de recursos naturais, como peixe e marisco, mas também ouro, que se recolhia nas margens do Tejo. Igualmente importante era a produção agrícola, desde cedo associada à vinha, aos figos e hortaliças, produtos frescos que eram facilmente escoados para o mercado da capital por transporte fluvial.

Pré e Proto-História
Os vestígios mais antigos da presença humana na zona remontam ao terceiro milénio aC e enquadram-se no Neolítico Final e Calcolítico (3,4 mil a 3 mil anos aC). 

No local mais elevado da freguesia, que corresponde ao topo da arriba, sítio designado como Quinta do Almaraz, foram identificados fragmentos de cerâmica, restos de alimentação, instrumentos de pedra e estruturas construídas de um povoado fortificado. A muralha, cercava o lado Sul, demonstra a importância deste núcleo urbano, que dominava a região.




Período Romano
A exploração dos recursos marinhos do estuário do Tejo está bem comprovada na época romana. Entre os séculos I e III existiram em Cacilhas fábricas de preparados de peixe, cujas estruturas foram descobertas no Largo Alfredo Dinis e na Rua Carvalho Freirinha. 
As escavações arqueológicas no Largo Alfredo Dinis permitiram identificar diversos tanques (cetárias) dispostos em torno de um pátio central e cobertos por um telheiro. A pesca e a laboração das fábricas necessitavam de mão de obra, o que implicaria a existência de um núcleo populacional. As conservas e molhos eram exportados para diversos locais do império romano.

Idade Média

Em 1147, um cruzado que acompanhou D. Afonso Henriques na reconquista de Lisboa aos mouros, escreveu uma carta que descreve esta região como extremamente fértil, rica em searas, vinhos, figos, romãs, mel e caça. Embora não refira especificamente Cacilhas, depreende-se que esta localidade seria já um ponto de apoio fluvial ao tráfego de pessoas e mercadorias entre as duas margens. 
As primeiras leis respeitantes à travessia fluvial entre cacilhas e Lisboa são de 1284, mas mostram a necessidade das autoridades regularem uma actividade que existiria anteriormente e cujo crescimento obrigava ao estabelecimento de normas de funcionamento. Naquela data foi estipulado o preço do transporte fluvial entre Lisboa e Cacilhas para pessoas e animais, bem como outras regras, por exemplo, a proibição dos escravos atravessarem o Rio sem autorização dos seus senhores.

Como local de passagem, Cacilhas dispunha no período medieval de dois estabeelcimento de apoio a viajantes e doentes: o Hospital ou Albergaria dos Palmeiros, fundado por peregrinos ingleses, e a gafaria de S. Lázaro, que acolhia os leprosos de uma vasta região a sul do Tejo. A essas instituições estavam ligadas as antigas capelas de Nossa Senhora de Palma e Nossa Senhora do Bom Sucesso, respectivamente.

Um dos episódios descrito por Fernão Lopes na Crónica de D. João I ficou conhecido como combate naval de Cacilhas. Em 18 de Julho de 1384, estando Lisboa cercada por castelhanos, uma frota de navios fieis ao Mestre de Avis (futuro D. João I), combate com cinco naus castelhanas ao largo de Cacilhas. Enquanto três naus portuguesas foram aprisionadas, as restantes conseguiram romper o cerco e chegar a Lisboa.

Idade Moderna
O Cais do Ginjal era um importante porto de mar, no qual as embarcações podiam entrar e sair em qualquer momento sem necessidade de esperar pela maré cheia, o que justificava a necessidade de defesa militar no local. Durante o reinado de D. Pedro II (1638-1705), foi reconstruído o Forte de Santa Luzia, edifício onde actualmente se encontra instalada a Guarda Nacional Republicana, fortificação que tinha como função a vigilância e protecção das entradas e saídas no cais.

O grande terramoto de 1 de Novembro de 1755 destruíu as ermidas medievais e marcou muito a tradição local, através do milagre segundo o qual um catraeiro (barqueiro) pegando na imagem da Virgem Maria foi ao encontro das águas que ameaçavam inundar a povoação fazendo-as recuar. O milagre é celebrado anualmente com a Procissão que sai da actual Igreja de Cacilhas (com a invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso) a qual foi reconstruída em 1759. 




A população de Cacilhas, na grande maioria ligada ao transporte fluvial entre as duas margens do Tejo e à construção naval, custeou essa obra.



Até ao século XIX o lugar de Cacilhas reumia-se à Rua Direita (actual Rua Cândido dos Reis), sendo a envolvente ocupada por quintas e casais agrícolas, no entanto, graças à situação geográfica favorável para abastecimento de matérias primas e escoamento dos produtos transformados, a partir de 1816 começaram a instalar-se ao longo da frente ribeirinha alguns armazéns, principalmente de vinhos, e oficinas ou fábricas, nomeadamente de tanoaria, têxteis, cortiça, construção naval, destilaria e conservas.

O incremento das instalações industriais levava frequentemente à eclosão de incêndios, o que terá contribuído para a criação de um corpo de bombeiros, fundado em 1890 com a designação de Associação de Beneficiência Serviço Voluntário de Incêndios.
A construção da Ponte sobre o Tejo entre Lisboa e Almada desviou grande parte do tráfego de mercadorias, de fluvial para rodoviário, conduzindo à decadência e ao abandono da maioria dos armazéns e das indústrias aqui instaladas.
Entre 1967 e 2000 funcionou em Cacilhas a Lisnave, um dos maiores estaleiros europeus de reparação naval, que empregou milhares de trabalhadores. A sua construção obrigou a um enorme aterro e a instalação de docas secas transformou para sempre o ecossistema local.



Actualmente, Cacilhas vê renovado o seu papel de nó dos transportes regionais, congregando além dos terminais fluvial e rodoviário, o do Metro de Superfície.
PATRIMÓNIO
Sítios Arqueológicos
A freguesia de Cacilhas integra no seu território dois sítios arqueológicos de grande importância para o conhecimento da ocupação humana da região: a Quinta do Almaraz e a Fábrica Romana de preparados de peixe. 

ALMARAZ
A Quinta do Almaraz situa-se no topo da arriba e beneficia de uma posição estratégica privilegiada, a partir da qual se abarca um ângulo de visão de quase 360º, alcançando a margem Norte e o estuário do Tejo, as serras de São Luís e da Arrábida. 
Neste local foram identificados vestígios arqueológicos que atestam uma ocupação do espaço desde o Neolítico Final (3,4 mil anos aC) até ao período romano (século II). No entanto, o período mais significativo corresponde à Idade do Ferro (800 aC) tendo revelado estruturas de um povoado fortificado, grande variedade de espólio cerâmico importado da bacia do Mediterrâneo e também vestígios de actividade metalúrgica associada ao ferro e, eventualmente, ao ouro recolhido nas praias da margem Sul do Tejo. O espaço onde foram identificadas as estruturas arqueológicas é de propriedade municipal e prevê-se a sua musealização, no âmbito do Estudo de Enquadramento Estratégico da Quinta do Almaraz.

CETÁRIAS ROMANAS

No Largo de Cacilhas foram igualmente identificados vestígios de ocupação da Idade do Bronze, presentes na estrutura de um cais de pedra aparelhada, na base do qual foram encontradas cerâmicas de influência fenícia, semelhantes às descobertas na Quinta do Almaraz. Na mesma área e em estreita ligação com a frente ribeirinha foram também identificadas estruturas de uma fábrica romana de preparados de peixe, que terá laborado entre os séculos I e III. Os tanques (cetárias) utilizados nos variados processos de transformação do pescado, foram posteriormente abandonados e reutilizados como lixeira e abrigo durante a Idade Média e até ao século XVIII, conforme se constata pelo diverso espólio de diferentes épocas encontrado no interior. O entulho aí depositado revelou fragmentos de cerâmica árabe pintada e moedas de D. Afonso V a D. João III.
As estruturas arqueológicas estão classificadas como imóvel de interesse público encontrando-se actualmente cobertas com calçada, prevendo-se a sua muselização no âmbito da reabilitação desta zona da cidade.


PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO

FORTE DE SANTA LUZIA
Sendo o porto de Cacilhas um importante entreposto e ponto de passagem entre as duas margens do Tejo, a sua defesa era assegurada pelo Forte de Santa Luzia, cujo edifício ainda hoje se pode reconhecer no posto da brigada fiscal da Guarda Nacional Republicana, cujo portal é encimado por uma pedra com as armas nacionais. Desconhece-se a data da sua edificação original, sabendo-se que foi objecto de obras durante o século XVII (reinado de D. Pedro II). Em finais do século XIX foi demolida a esplanada de artilharia, que segundo o Padre Luís Cardoso em 1751 possuía oito peças de artilharia.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO
Construída de raiz quatro anos após o terramoto de 1755, este templo apresenta uma fachada de inspiração barroca, com um fronyão triangular ladeado por torres sineiras, que apresentam cúpulas encimadas por pequenos zimbórios. Nas paredes de uma das torres podem também observar-se dois relógios de sol, um na fachada frontal e outro na lateral. 
O interior é composto pela galilé, coro alto, uma única nave e capela-mor. As paredes tê silhares de azulejos azuis e brancos da segunda metade do século XVIII, com cenas alusivas à vida de Nossa Senhora. 




Existem ainda três retábulos em madeira policroma de estilo rococó, um dos quais com a imagem de Santa Luzia, datada do século XVII.





MOINHO DE CACILHAS

Situado no morro de Cacilhas e integrado no parque de estacionamento, encontra-se a estrutura de um antigo moinho de vento, o qual até à década de noventa do século XX se encontrava em ruínas. A estrutura das paredes e cobertura foram então reconstruídas sem integrar qualquer engenho de moagem. O moinho, do qual se desconhece a data de construção, situa-se no extremo norte do concelho de Almada e utilizava apenas um par de mós, tirando partido dos ventos predominantes de Noroeste. A existência desta estrutura de moagem atesta a produção de cereais e o passado rural da zona, associada a solos férteis.
CHAFARIZ DE CACILHAS
Chafariz inaugurado em 1 de Novembro de 1874. Um importante melhoramento que a Câmara Municipal sob a presidência de Bernardo F. da Costa, prestou ao povo de Cacilhas. Implantado à entrada da antiga rua Direita (actual rua Cândido dos Reis) e junto ao largo Costa Pinto (actual largo Alfredo Dinis-Alex), os moradores abasteciam-se de água potável para os lares. O chafariz (infelizmente destruído nos finais dos anos 40 ou início de 50) era abastecido pela mina do Ginjal, por intermédio de canalizações. Quando estas canalizações começaram a envelhecer e a degradarem-se, a água, que era de muito boa qualidade, passou a ser salobra por infiltrações das águas do Tejo. 
Então, a população de cacilhenses, só a utilizava para lavagens. A boa, para beber, continuava a vir da mesma origem (do Ginjal) mas fornecida em barris, por aguadeiros. Até que veio a canalização domiciliária. Deve-se este melhoramento ao presidente da Câmara Municipal de Almada, Luís Teotónio Pereira.

 FAROL DE CACILHAS
O Farol inaugurado em 1886, inicialmente com luz branca, que depois foi verde, tinha um relampejar com intervalos de 5 segundos, movido por um sistema de relojoaria. Uma presença imprescindível para a população de Cacilhas que lhe ganhou cariho e amizade.




Prático no seu buzinar nas noites e dias de nevoeiro, o Farol constituía um excelente guia para a navegação que subia e atravessava o Tejo e que servia para sinalizar o Pontaleto.



TRADIÇÕES
Burricadas

As burricadas foram retomadas em 2003 na Freguesia de Cacilhas, para recriar uma prática comum de Almada até ao início do século XX: o transporte de pessoas em burros. 

Esta tradição realiza-se no âmbito das Festas da Cidade de Almada, em Junho, e tem início no Largo Alfredo Diniz, em Cacilhas, onde vários burros, carroças, burriqueiros, músicos e figurantes vestidos a rigor com trajes da época dão início ao passeio que liga Cacilhas a Almada e à Cova da Piedade, pelas ruas mais antigas.




Esta tradição é também recuperada no âmbito das "Tasquinhas e Burricadas", um evento anual organizado pelos Escuteiros de Cacilhas-Agrupamento 510, em Setembro.
Na freguesia existe um Monumento de Arte Pública que recorda a importância destes animais na história da freguesia.  
Jorge Pé Curto concebeu “Primeiro as Crianças”, construindo em aço corten um burro, que serve simultaneamente de escorrega a duas crianças. 

É um dos 11 monumentos colocados nas  freguesias do concelho, no âmbito das comemorações dos 25 anos sobre o 25 de Abril. Lembra o peso das crianças na Revolução, para as quais se quis construir um mundo mais justo.  


Procissão de Nossa Senhora do Bom Sucesso 

Esta procissão tem lugar todos os anos, no dia 1 Novembro, em memória do que a população diz ter sido o milagre da padroeira local. 

Reza a história que, após o  terramoto de 1755, as águas do Tejo ameaçaram a povoação, só acalmando quando a imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso foi levada até às margens do rio.
 

Por isso, todos os anos a imagem da santa sai da Igreja, percorrendo as principais ruas de Cacilhas, descendo até ao cais, para abençoar as águas.

A organização é da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso.







Cursos científico-humanísticos, tecnológicos, profissionais entre outros fazem parte da oferta curricular deste estabelecimento de ensino. 





EB1/JI Cata-Ventos da Paz
A escola tem seis amplas salas e o jardim de infância conta com duas salas, zonas de expressões, arrecadações e casas de banho. Dispõe ainda de um centro de recursos, ginásio, balneários e entre outras instalações.A zona de recreio tem uma área pavimentada com calçada portuguesa e outra em terra, contando ainda com uma horta onde se produzem e criam diversos produtos hortícolas.
Neste complexo educativo, que pertence  ao Agrupamento Vertical de Escolas D. António da Costa, funcionam ainda  o A.T.L. e a  Comissão de Protecção de Menores.


Externato o Barquinho
Desenvolve a sua actividade nas valências de Creche (a partir dos 4 meses), Jardim Infantil, 1º ciclo do Ensino Básico e Actividades de Tempos Livres (ATL) para crianças do 1º e 2º ciclo do Ensino Básico. 
As inscrições encontram-se abertas durante todo o ano.


Infantário Sorriso Mágico
Esta creche e jardim infantil tem transporte próprio e alimentação confeccionada no infantário. Os mais novos podem usufrurir de actividades de natação, ginástica, idas à praia e visitas de estudo.


Escola Profissional de Almada
Cursos de qualidade direccionados para as exigências e necessidades do mercado de trabalho, com uma componente prática e com estágios em empresas, com vista à inserção sócio-profissional dos seus diplomados.





Gastronomia

Tamboril Gratinado com Gambas
Felicia Sampaio

Ingredientes:
  • 800 grs. de lombo de tamboril
  • 2 dl de caldo de peixe
  • 1 dl de natas
  • 16 gambas médias e cruas
  • 1,5 dl de vermute branco
  • 1 dl de conhaque
  • 1 colher de sopa de polpa de tomate
  • salsa picada q.b.
  • 1 cebola média
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • pimenta moída na altura q.b.
  • puré de batata q.b.
Confecção:
1.  Corte o lombo de tamboril em cubos e tempere com sal e pimenta.
2.  Descasque as gambas sem lhes separar a cabeça.
3.  Ponha os cubos de tamboril e as gambas num pirex que possa ir ao forno.
4.  Numa frigideira leve ao lume o azeite e a cebola picada a refogar.
5.  Deixe alourar.
6.  Deite na frigideira o conhaque e o vermute.
7.  Puxe fogo e deixe flamejar.
8.  Uma vez extinta a chama, junte a polpa de tomate, o caldo, as natas e a salsa picada.
9.  Deixe ferver e reduzir sem deixar de mexer.
10.             Rectifique os temperos de sal e pimenta.
11.             Deite este molho sobre o peixe.
12.             Guarneça com uma cercadura de puré de batata.
Leve ao forno quente (200ºC) a alourar cerca de 15 minutos.

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