terça-feira, 8 de novembro de 2011

FREGUESIA DE CABEÇO DE VIDE

REGIÃO             ALENTEJO
SUB REGIÃO      ALTO ALENTEJO
DISTRITO    PORTALEGRE
CIDADE             FRONTEIRA
FREGUESIA       CABEÇO DE VIDE

Este brasão, desenhado talvez no século XVI, pretende explicar a origem do topónimo Cabeço de Vide e a sua fundação junto ao castelo.

Depois da lei de 1991 sobre o direito heráldico das autarquias, foi outorgado pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 17 de Fevereiro de 1999, um novo ordenamento, onde se mantiveram as duas vides em orla das armas primitivas, representativas da segunda parte do topónimo da Vila. 
As alterações produzidas realçam e reforçam o aspecto simbólico do brasão da Vila: a ponta do escudo é ocupada por um cômoro, representando o Cabeço correspondente à primeira parte do topónimo da Vila; o castelo é substituído por uma fonte alusivo à existência e à siginificância das Termas Sulfúrea.



LOCALIZAÇÃO
D
istando 10 Km de Fronteira sede do concelho, Cabeço de Vide situa-se na encosta meridional de um monte, estendendo-se até à planície e aí formando um rossio que é tido como o mais amplo entre o Tejo e o Guadiana.
Apenas a 200 Km de Lisboa a viagem faz-se rápida e quando sai da auto-estrada o trajecto pela nacional proporciona-lhe uma paisagem magnífica.


HISTORIA
 Há quem atribua aos romanos a fundação da primeira povoação, mas sabe-se que todo o território da freguesia foi alvo de ocupação humana desde o Neolítico. Comprovam-no os diversos achados arqueológicos aqui encontrados ao longo dos tempos: machados, facas de pedra lascada e polida e numerosas antas.

 Os romanos devem ter permanecido aqui durante vários séculos. Pelo actual território da freguesia passava uma estrada subsidiária da importante via militar romana que ligava Lisboa a Mérida. Esta via servia as termas da Sulfúrea, onde foram encontradas ruínas de um balneário e muitos outros vestígios arqueológicos datados da época romana. Um pouco por toda a freguesia foram encontrados abundantes testemunhos de uma forte actividade romana.

Segundo a tradição a primeira fundação da localidade foi no sítio de Pombal. "Havia uma povoação onde, por ocasião de uma batalha, ficaram por enterrar muitos mortos do que resultou uma peste, alguns feridos subiram ao cabeço do outeiro e assim que respiraram os ares puros logo recuperaram a saúde, vendo isto, os que ficaram em baixo foram subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali diante Cabeço de Vida e pelo tempo em diante Cabeço de Vide."

No ano de 1160, D. Afonso Henriques conquistou a povoação que foi retomada e destruída pelos árabes em 1190. Alguns anos depois foi reconstruída no alto do Cabeço para melhor se defender dos inimigos. Foi então levantado, ou reconstruído, um castelo e edificada uma cerca muralhada em torno da povoação.

No séc. XVI, Cabeço de Vide foi doada a um dos mais ilustres homens de armas e célebre Diogo de Azambuja. Este século foi época de ouro da vila que começou, em 1498, com a fundação da Santa Casa da Misericórdia por D. Leonor. Em 1512, D. Manuel I concede novo foral a Cabeço de Vide.

O declínio da vila começou durante as campanhas da Restauração que lhe arruinaram as casas, as muralhas e o castelo. Depois de vários anos negros na vida desta vila, esta deixa de ser concelho a 24 de Outubro de 1932, ficando integrada no concelho de Alter do Chão até 21 de Dezembro de 1932, data em que transitou para o concelho de Fronteira.

Vários foram os nobres que ocuparam cargos na Câmara de Cabeço de Vide, dos quais se destacam alguns membros da família Vaz de Camões.Os seus descendentes mantiveram-se por aqui por mais dois séculos.Sabe-se que pertenciam à baixa nobreza, que foram funcionários da Câmara ou agricultores numa propriedade, ainda hoje, designada por "Monte de Camões". Esta família habitava onde se situa agora o prédio nº 35 da Rua de Avis.


PATRIMONIO



A Casa da Câmara, que pega com a Torre do Relógio, foi igualmente destruída na mesma altura pelos castelhanos, sendo posteriormente reconstituída. É um edifício de duas salas em cada um dos seus dois pisos. Para as duas salas do rés-do-chão, foi transferida, em 1758, a Cadeia, depois do edifício próprio, situado na rua de baixo, rente à Torre, ter ruído.
Os presos entravam na cadeia por um alçapão aberto no piso superior, descendo por uma escada móvel que logo era retirada. 





As duas celas, uma para pessoas do sexo masculino e outra para o sexo feminino, têm entradas iguais mas independentes.Cada uma tem uma janela fortemente gradeada, através da qual os amigos e familiares podiam comunicar com os presos e levar-lhes alimentos ou insultos.
O Largo da Cadeia ou Largo do Pelourinho, foi e é hoje,
uma ampla janela, aberta a Sul e a Poente, dominadora de um horizonte vastíssimo, visita indispensável do turista que venha a Cabeço de Vide


A Torre do Relógio, da qual não se sabe a idade, não foi construída para relógio, embora no séc. XVI tenha passado a ter essa função.
Tem uma estrutura quadrangular em alvenaria com quinais de granito, quatro olhais e um sino. Na cúpula tem uma pirâmide quadrangular, com doze pequenas pirâmides de igual desenho, no patamar. O antigo relógio está voltado a sudeste e o novo para sudoeste. O mostrador do relógio primitivo tem a data de 1570 mas, no reboco, imediatamente por baixo, está a data de 1741, que tanto pode ser da colocação do relógio como de alguma reparação na torre.
Antes de haver relógios, as torres tinham geralmente funções religiosas e cívicas. As primeiras consistiam em convocar os fiéis para os actos do culto, para as solenidades religiosas ou para os funerais; as segundas consistiam em alertar o povo em momentos de perigo ou para a difusão de outras mensagens.
A torre, que não é por essência um elemento do corpo do templo, pode inicialmente ter tido funções religiosas de apelo ou de aviso, por meio dos seus sinos. Há em Portugal várias igrejas antigas, cujas torres estão separadas dos templos por alguma conveniência. Esta hipótese encaixa numa outra respeitante à inexistência de torre na primitiva Igreja de Cabeço de Vide. Assim sendo, esta torre bem pode ter sido a torre da primitiva Igreja.
Era também a torre sineira que marcava o início e o termo dos trabalhos diários do campo (nascer e pôr-do-sol), a hora do jantar e o meio-dia.
Estes toques, em linguagem de fé, são chamados Angelus.


Pelourinho, situado frente à Casa da Câmara, é monumento nacional. É feito de granito e tem na base uma plataforma quadrada com três degraus sobre a qual assenta o fuste octogonal. O seu capitel cónico com rebordo ostenta a Cruz de Avis no lado oposto ao das armas reais.
A Casa da Câmara, o Pelourinho, a Cadeia e até a Forca, eram símbolos representativos da alforria da Vila ou Cidade com jurisdição própria. Cada um destes elementos tinha, além disso, funções práticas dentro dos quadrados administrativos e judicial. 







A do Pelourinho, se, por um lado, foi a de simbolizar a autonomia judicial do Concelho, foi também a da execução prática da justiça aplicada pelos tribunais, no que respeita à aplicação de castigos que não envolvessem a pena de morte, daí a sua localização num sítio central do concelho.
"(...)O Pelourinho tinha quatro ferros cravados no cimo da coluna onde os "criminosos" eram pendurados por uma corda colocada por baixo dos braços; outras vezes eram amarrados à coluna. Era numa destas posições que eram expostos à irrisão popular e aos castigos físicos, que variavam consoante a gravidade do delito ou com os costumes do tempo.
O Pelourinho de Cabeço de Vide perdeu a sua função com a cessação do Concelho, em 1855, mas perdura no seu posto, reparado agora das injúrias do tempo e dos lenhadores que teimaram, durante gerações seguidas, afiar, nos seus degraus, os machados da lenha e da tiragem da cortiça.
É monumento Nacional, não tanto pela arte do seu traçado arquitectónico, como pela vetustez e vigor dos seus granitos.
Hoje, cumprida a sua missão histórica, descansa no sossego do Museu da Vila, que é todo o alto do morro."



Igreja Matriz é um templo amplo de duas naves, sem grandes efeitos artísticos e de arquitectura popular.
O corpo principal, porventura do século XVI, tem quatro arcos redondos de alvenaria e abóbada de meia cana; a nave lateral, mais curta, tem três arcos, também de alvenaria, e a sua abóbada de desenho medieval com nervuras onduladas, está dividida em quatro meias luas.

Frente ao Altar-Mor, ricamente entalhado em barroco do séc. XVII, existem três sepulturas do séc. XVI, sendo a da direita do navegador da casa d'El Rei, António de Azambuja, filho do Comendador de Cabeço de Vide, Diogo de Azambuja.
D. António de Azambuja foi um fidalgo e navegador português dos tempos de D. Manuel e de D. João III
e comandou em 1548 uma das naus da armada de
João Henriques que seguiu para a Índia com o fim de 
assegurar a posse dessa parcela do Império, já então em desmoronamento.Na segunda capela ao lado da Epístola, encontra-se a campa subterrânea, fechada por uma lousa trabalhada e datada de 1653, de Frei Gaspar Ribeiro de Simas e de sua mulher, D. Francisca de Siqueira. No arco em frente foi fixado o seu brasão.
Frei Gaspar Ribeiro de Simas participou activamente na Guerra da Restauração entre 1641 e 1646. Estes serviços valeram-lhe a nomeação, em Maio de 1649, de Capitão-Mor de Cabeço de Vide e de Alter Pedroso. Em Agosto do mesmo ano foi confirmado como cavaleiro professo da Ordem de Avis. Entre 1607 e 1656 foi várias vezes Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide.
A ligação da Matriz de Nossa Senhora das Candeias à Ordem de Avis é testemunhada por exemplares da heráldica da Ordem de Avis existentes neste templo, designadamente, no lavabo da sacristia e na pedra de fecho da abóbada, situada na primeira capela lateral do lado da epístola.



A Fortaleza de dois mil e quinhentos metros quadrados de área, tem o desalinho oval de um castro, dentro do qual se poderiam abrigar guerreiros e habitantes de uma pequena povoação. No seu interior, o chão está sulcado de galerias subterrâneas que a ligam a antigas casas afidalgadas da Rua de Avis e à zona da Bica.
A ligação à zona da Bica pensa-se que tinha como finalidade abastecer de água os refugiados e foi descoberta em 1952 por um trabalhador por conta da Junta. Duas entradas para estas galerias são conhecidas, uma na casa de D. Ana Presado e outra no quintal do Sr. José Santos.
Este modelo de fortalezas foi usado pelos Celtas, pelos Lusitanos e aproveitado pelos Romanos e pelos Mouros. Os freires da Ordem de Avis, reconstruíram--na tendo
esta atingindo o apogeu durante a dinastia de Avis,
devido à importância e ao peso social dos Comendadores ali residentes.
Destes se destaca o Cavaleiro Professo da Ordem de Avis, D. Diogo de Azambuja, figura distinta e da máxima confiança do Regente D. Pedro e dos reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I.
Com os Filipes de Espanha iniciou-se o declínio da velha fortaleza, que foi completamente arrasada pelos espanhóis, em 1710, nas campanhas da restauração.



A Muralha

As primeiras habitações, em volta da Fortaleza, estavam cercadas por uma "muralha", como lhe chamam alguns, com certa pompa. Essa muralha não era mais que um muro baixo de alvenaria nuns pontos, noutros de pedra solta, mas em qualquer dos casos foi sempre uma rudimentar defesa dos moradores. São hoje já poucos os restos desse reduto porque, nuns casos o inimigo o desfez, noutros, ele se desmoronou e noutros ainda ele foi pedreira para construções. Ainda assim tinha três entradas, para quem não quisesse saltar o muro; uma chamada Porta ou Arco de Avis, no ponto em que havia um arco nessa Rua, outra voltada para a Rua do Santo Mártir e a terceira para o Largo do Limoeiro.
Estavam dentro da cerca, a Fortaleza, a Câmara, o Pelourinho, a Matriz, a Misericórdia, a Torre, a velha Cadeia e as ruas mais próximas da Fortaleza. 



A Capela da Senhora dos Anjos

É um pequeno templo, simples, modesto de arte e de estrutura. Tem na verga da porta, gravada a data de 1726, em que parece ter sido reconstruída. Tem um pequeno campanário do lado do frontispício em bico. A imagem do titular é de roca.
Foi ainda dentro deste século, centro de ruidosas romarias que o povo não esqueceu. A sua festa celebra-se na segunda-feira da Páscoa.
Noutras terras do Alentejo, nesse dia, vai a população para o campo comer o borrego,(memória do cordeiro pascal). Cabeço de Vide festeja a sua santinha, ainda hoje, com missa, no termo da procissão e procissão promovidas por um pequeno grupo de senhoras.
Noutros tempos o povo juntava-se todo, no largo, que já foi muito maior, em volta da sua santinha, frente à 
porta da ermida. Com a imagem no andor, postada aos ombros dos devotos, procedia-se ao "leilão da bandeira". Era um espectáculo que ninguém queria perder.
Consistia em ver quem é que, indivíduo ou grupo, em despique, licitava maior quantia pela bandeira, para fazer a festa no ano seguinte. A disputa era emocionante entre palmas e vírgulas à Senhora dos Anjos.
O arrematador tomava posse do pequeno pendão, entregue pelo festeiro desse ano e comprometia-se a garantir, no ano seguinte, a festa religiosa e com arraial, 





a partir das esmolas angariadas na Vila, nos montes e nas povoações vizinhas e, se faltasse verba, teria de pagar do seu bolso, até à conta licitada. Isto tinha mais efeito do que verdade. A tradição do arraial perdeu-se, dado que pela Páscoa, o tempo não é seguro para festas dispendiosas ao ar livre.




 
As águas sulfurosas de Cabeço de Vide foram utilizadas pelos Romanos, desde 118 anos antes de Cristo, durante cerca de 600 anos. As ruínas do balneário que aqui edificaram encontram-se por baixo do actual balneário.
Diz a tradição, que a chamada "fonte do Bolegão" ou "fonte do Borbolegão" como lhe chamavam no séc. passado ilustrando a visão que se tinha das águas brotando da terra ao borbulhões antes da fonte estar entaipada, que é romana e a nascente de origem por eles utilizada.
Estas águas, cujo caudal é muito abundante, foram conduzidas para o fontanário de três bicas, junto ao balneário.
O fontanário, que cobre a nascente à flor da terra, é

rectangular; à frente tem dois arcos abatidos assentes sobre uma coluna quadrangular de granito trabalhado, da Herdade Grande, donde os Romanos se abasteciam para as suas construções. O tecto é formado por uma abóbada de dois tramos semi-esféricos com nervuras.
O seu estado actual é produto de várias reparações e transformações no decorrer dos séculos. Nos fins do século passado ainda tinha alpendre e uma placa ou muro diante dos arcos, para impedir que os animais se abeirassem da água. Em frente há ainda um pequeno logradouro cercado por um poial onde pousavam as bilhas.
A actual abóbada pode ser contemporânea do tecto da nave lateral da Matriz, pois tem o mesmo estilo de nervuras, mas aquela coluna quadrangular de granito da Herdade Grande, faz pensar em origens romanas, a condizer com a tradição. 

 O Cruzeiro do Espírito Santo, que ocupa o centro do Largo do Espírito Santo, foi considerado Monumento Nacional por Decreto de 11 de Outubro de 1933. É do séc. XVI e, como relata Luís Keil, é composto por "uma coluna simples de mármore, assente sobre quatro degraus de forma rectangular, com capitel sobre o qual está uma cruz de braços largos, com a imagem de Cristo de um lado, e do outro, Nossa Senhora da Piedade, sobrepondo-a a pomba simbólica do Espírito Santo".



Da Igreja do Espírito Santo, Pinho Leal, no livro Portugal Antigo e Moderno, em 1874 diz ser "esta igreja uma das mais antigas da província já existentes antes da Vila ser do Mestrado de Avis", portanto antes de 1211, ano em que a Vila, por doação de Dom Afonso II, passou para a dependência do Mestrado.
O "design" actual da Igreja do Espírito santo vem do período áureo da Vila, mais propriamente do início do séc. XVI. O Pórtico principal, o lateral, e o retábulo da sepultura de Brás Gonçalves Figueiró são de mármore do séc. XVI.


O telhado está oculto por uma platibanda guarnecida com ameias paralelepipédicas truncadas; o campanário é clássico, com um sino, do séc. XVI, outro do séc. XVII e uma sineta no olhal cimeiro.
A nave lateral foi acrescentada para ampliar o espaço da igreja, no tempo de Brás Gonçalves Figueiró.
As obras, iniciadas em 1952, mostraram que esta igreja sofreu grandes restaurações nas paredes no séc. XVI, ou por terem ruído com o terramoto de 1531, ou porque Brás Gonçalves Figueiró quis mesmo substituir os dois pórticos de granito (de que se descobriram os vestígios), pelos actuais pórticos de mármore, e deixar num deles a cruz de braços duplos, para atestar que a Confraria desta Igreja e o próprio templo eram pontifícios, independentes de qualquer autoridade civil ou canónica.
Nestas obras foram encontrados pavimentos inclinados para o altar-mor, usados nas igrejas visigóticas.


A Igreja do Espírito Santo foi também sede da Confraria do Espírito Santo. Brás Gonçalves Figueiró em 20 de Janeiro de 1516, sendo síndico e procurador da Confraria do espírito santo de cabeço de vide, conseguiu a união da sua Confraria à congénere da Cidade de Roma. Para tal deslocou-se a pé a Roma nos meses de Junho e Julho de 1517, onde conseguiu que a Confraria de Cabeço de Vide fosse considerada "Santa Apostólica Confraria do Hospital do Santo Spírito da Cidade de Roma de Cabeço de Vide".
De Brás Gonçalves Figueiró, apenas sabemos o que diz o manuscrito do compromisso da Confraria e o que refere a sua lousa tumular na Igreja do Espírito Santo, onde se lê: "Aqui jaz Brás de Gonçalves Figueiró, homem solteiro. Fundou esta casa. Foi a Roma a pé, pelas indulgências desta casa. Faleceu com a idade de 80 anos na era de 1550".



A Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide, fundada pela Rainha D. Leonor em 1498, está incluída nas primeiras onze Misericórdias fundadas por esta figura régia.
Do edifício sede, que fica ao lado da Igreja Matriz, fazem parte o Hospital, a Igreja e o Salão dos Mesários da Irmandade. É possuidora de um valioso património imobiliário, bem como de um riquíssimo arquivo documental, factos testemunhados em heráldica do Concelho de fronteira, onde se lê: "A Misericórdia de Cabeço de Vide é uma das mais vetustas do país, contando com um património artístico do qual se destaca um belíssimo conjunto de bandeiras, recentemente submetidas a cuidadoso restauro, bem como um fundo arquivístico do maior interesse para a história local".

Como capa de dois velhos alfarrábios foi encontrado na Misericórdia de Cabeço de Vide, em 1990, um pergaminho com o desenho de um mapa dos princípios do séc. XVI, onde está representado o Mar Mediterrâneo e as nações, cidades e portos que então o circundavam. Esta Carta de Marear, documento de alto valor histórico e cartográfico, é um dos mapas náuticos mais antigos que se encontram em Portugal, pois pensa-se que seja contemporâneo da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Pode ter acontecido que este exemplar, tão raro quanto precioso, pertencesse ao fidalgo navegador D. António de Azambuja, ou ao seu pai D. Diogo de Azambuja, também homem do mar, e que o tivessem deixado à Misericórdia de Cabeço de Vide. Entretanto os tempos e os séculos passaram, alguém terá julgado aquele pergaminho inútil, tendo-o cortado em dois e adoptado a capas de dois livros de arquivo.
Presentemente fazem-se estudos comparativos com outros mapas congéneres em Itália.




 Rua Ordem de Avis. Muitos foram os personagens da vila que habitaram nesta rua.


Os Freires da Ordem de Avis, vindo daí o seu nome, os membros da família do nosso épico Luís de Camões, que também habitavam o monte Camões e, por aqui permaneceram 200 anos. António D'Azambuja habitou o nº 10 e aí nasceu D. Diogo de Azambuja fidalgo da casa d'El Rei, Comendador e Alcaide-Mor das Vilas de Cabeço de Vide,Alter Pedroso e Rio Maior, navegador do reino. A sua família ocupou esta casa até 1815. Está sepultado na Capela-Mor da Igreja Matriz. Em 1932 foi encontrada uma galeria subterrânea que ligava esta casa à Fortaleza.



 A Estação de Cabeço de Vide é um edifício de linhas graciosas, agradável no seu traçado marcadamente português, nos seus granitos trabalhados, no beiral e cimalha muito nossos e nos lindíssimos painéis de azulejos policromados, pintados por L Batistini, em 1933.
 Os motivos dos painéis exteriores são mesmo sugestivos. Há porcos no montado, apanha da azeitona, trajes do campo e da Vila, criação de cavalos, pastoreio de ovelhas, debulha do trigo com bestas, tiragem da cortiça, lavra da terra com muares, a sementeira, a ceifa,
o transporte do trigo para a debulha, a Torre do Relógio
a Casa da Câmara e o Pelourinho.
No alto da fachada, há outro painel emoldurado de flores,
com o Escudo das Quinas ao centro.

 A Estação foi desactivada há algumas décadas e foi recentemente alvo de uma intervenção de recuperação e adaptação transformando-a na actual magnífica Estalagem Rainha D. Leonor.
O responsável pela recuperação e na altura o arquitecto principal do Gabinete Técnico de Fronteira João Calvino, concebeu o projecto respeitando inteiramente o passado arquitectónico do edifício. Esta opção revelou-se a mais problemática pois 60% dos azulejos estavam danificados ou não existiam devido a furtos. No entanto, o arquitecto solucionou o problema recolocando os azulejos espartilhados do interior numa perspectiva contemporânea e no exterior "assumiu a história violentada" assumindo as falhas com reboco. 
O resultado aprovado pelo IPPAR, é uma arquitectura minimalista que valoriza os vestígios do passado, os pórticos, a colunata e os painéis de azulejo que convivem em harmonia com a nobreza dos matérias escolhidos e a qualidade dos equipamentos.


Forca, despida já de todos os acessórios necessários à sua função, fica situada no outeiro do mesmo nome, a poente da Vila. À saída de Cabeço de Vide para Fronteira podem ver-se dois obeliscos paralelepípedos de alve
naria, gastos pelo tempo. É o que resta da Forca das justiças de Cabeço de Vide. Ela era complemento da função do pelourinho para os casos de pena de morte e, ao contrário deste, localizava-se fora do aglomerado populacional.
O condenado era pendurado com uma corda ao pescoço suspensa de uma viga atravessada horizontalmente e sustentada pelos prismas que ainda hoje se mantêm no seu lugar. A morte dava-se por asfixia devido à estrangulação e distensão das vértebras cervicais.

O seu valor arqueológico aumenta, pelo facto de ser o único exemplar conhecido que escapou à destruição a sequência da abolição da pena de morte; em Portugal Continental, em 1852 para os crimes de natureza política e em 1867 para os crimes civis.
Sabendo-se que Cabeço de Vide deixou de ser sede de concelho em 1855, tal facto pode ter motivado a não destruição deste monumento.
A leitura dos relatórios da Inquisição de Évora dá-nos conta da existência em Cabeço de Vide, nos séculos XVI e XVII, de uma numerosa e activa Comunidade Judaica. Cabeço de Vide foi mesmo, nesta época, uma das vilas do Alentejo mais atingidas pelo terror inquisitorial. No período 1533-1668, conta com duzentos e onze dos seus naturais ou residentes atingidos por penas (abjuração, perda de bens, prisão, tortura, décimo sétimo lugar na lista das trinta e quatro cidades e vilas mais sacrificadas pelo braço forte da Inquisição de Évora.
Considerando vários factores de natureza arquitectónica e topográfica, não é de excluir a hipótese da Judiaria de Cabeço de Vide se situar na zona da Rua Bento Varela, antiga Rua do quebra Costas.

Termas 
Com uma água com propriedades únicas no país aliada às mais modernas técnicas termais e uma estrutura turística de grande qualidade,fazem desta estância uma das mais frequentadas do país.

"(...) Quem, como eu, vindo da estação de Portalegre, ao passar na direcção do Santo Cristo, olhar em frente, à direita, avistará,no alto de uma elevação, a brancura tisnada de uma igreja, com a sua torre apontando o céu; ao lado e no topo do morro, as paredes escuras de uma velha e desbaratada fortaleza; mais em baixo, a silhueta de umas casitas brancas. Desça na Estação próxima. Decida-se a subir pela Azinhaga do Borbolegão. 


Páre um pouco na Rua do Santo Mártir; aprecie, como num quadro, o mediavalismo daquelas casinhas
Encha os pulmões de ar e suba a Rua do Quebra-Costas. Quase ao cimo desta olhe um instante à direita e fixe a vista na fachada singela de uma velha e modesta casita (...)

Siga à esquerda, na direcção do hospital. Próximo da igreja passe entre esta e o castelo, até chegar à frente do templo. Feche os olhos e sem medo, aproxime-se do muro em frente. Ao sentir a parede abra os olhos. Veja e não fale...se for capaz de ficar calado.


GASTRONOMIA
MERENDEIRAS
Ingredientes:

2,5 dl de mel

2,5 dl de azeite

6 ovos

50 g de açúcar amarelo

1 colher (café) de canela

1 colher (café) de erva-doce

300 g de farinha de milho

500 g de farinha de farinha de trigo

azeite para untar

fruta cristalizada

Modo de Preparo:

1.  Numa tigela, mistura o mel com o azeite, os ovos e o açúcar.
2.  Mexa bem e acrescente a canela e a erva doce.
3.  Misture com as mãos e adicione as farinhas de forma a que a massa ganhe uma boa consistência.
4.  Tenda-a finamente e divida-a em pedaços iguais.
5.  Enrole a massa dando-lhe o formato de charuto e transfira-a para um tabuleiro untado com azeite.
6.  Achate cada pedaço com a palma da mão e decore com fruta cristalizada.
7.  Leve ao forno a 200 graus, entre 15 a 20 minutos. Deixe arrefecer antes de servir.









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